segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

VIVENDO DISTANTE

VIVENDO DISTANTE DE MONJOLOS

Pedaço de minha vida por aí vivi!
Sonhei! gritei! mas ninguém ouviu meus gritos;
Grafei meus ecos nos muros de teus granitos,
Em tuas areias os meus sonhos eu esculpi.


Ouvi o repicar do sino conducente
Da torre da catedral branca e esguia ,  
Flébeis súplicas...hora da ave maria...
A aldeia silencia em obediência ao onisciente.

Ao luar  versejei nas soalhas de tuas sombras
Pela luz gerada nas  frondes dos jatobás,
À  margem   do pardinho  das danças dos  jupiás*,                                                               
De areias peroladas , aos beijos das alfombras.

Por todas as tuas  noites ao aclarar do dia,
Vi o brilho móvel de tua estrela cadente.
Vi pelos caminhos,  flores que amargamente
Sentiam também a dor, a mesma que eu sentia.

De ti um dia me despedi... e tudo mudou!...
Pálpebras tumescidas, fresca madrugada,
De alma aventureira, cheia do quase  nada,
Parti num velho trem que nunca mais voltou.

Ouço daqui distante ecoar em teu alvoro,
A minha ausência nos gritos de teu clamor!
sSem ninguém pra chorar comigo  a nossa dor,
Guardo comigo as lágrimas que eu mesmo choro.

Voltei!
Das estrelas ouvi um cântico sonoro...
O tempo passou lento sobre as lembranças
Que guardei feliz da época de  eu  criança,
Antigas saudades de ti, onde já não moro.

Não quero ser um eterno ausente teu...
Ver-te sempre para te ver mais uma vez,
Quando tudo que era-me triste se desfez,
Aquela dor que em mim doía me esqueceu
.
egê- sp


*jupiá= remoinho na água - termo muito usado na região amazônica

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