terça-feira, 23 de setembro de 2014

SOMBRAS DE SONÂMBULO

 SOMBRAS DE SONÂMBULO

Estou só!
Pervago por esses becos assombrados,
Onde a frouxa luz é quase que ausente,
Vozes, murmúrios, tudo é afligente
Estranho  cheiro  nos muros entranhado.

O rórido ar respiro no estender da noite
E é madrugada; ruas quietas, sombrias,
Ásperas de solidão, cáusticas agonias.
Geme o escravo, ao zumbido do açoite.

Aos rostos que me espreitam das janelas,
Sou espectro ambulante, assombro, dor!
Aos que se escondem, com medo, pavor,
Sou morte, sou mortalha, sou procelas.

Os  corpos a arquejarem de dor e acenos,
Despede-se essa gente da vida pregressa,
Sabendo que a ela nunca mais regressa,
Despe-se do pudor, insanos atos, obscenos.

Uivando nas mansardas,agora sou tormenta
Dos assombros, entre almas desgarradas.
Vadio com elas por ruas mal  assombradas,
Aos rosnidos rascantes, enxofre nas ventas.

De egê- sp
Do livro poeira e flor vol IV



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