sábado, 6 de setembro de 2014

ANGÚSTIA

ANGÚSTIA.

Angústia;
É um grito de dor amordaçado,
Um fogo ateado sob borralhos,
É mutismo de vontade mutilada,
É cerzir-se como trama de retalhos.

É degustar na alma incertezas,
É sentir-se só pedindo a morte,
É como a si estender as próprias mãos,
Entregar-se, enfim, à própria sorte. 

É não sentir a graça num sorriso,
Sofrer um infarto que não mata,
É ater-se a rezingo e lamúrias
Ou ao cruel silêncio que infarta. 

É estar preso em seu próprio cárcere,
E sorver cada lágrima ressumada,
É sentir-se núcego de grandezas,
Ferir-se com lanhos de sua própria espada.

É conceber o antro como final abrigo,
Sem as centelhas da fé que reconstrói...
Sem preces, sem oratório, sem altar...
É imergir na depressão que só destrói.

"É perder o sorriso de quem se foi,
latejando no peito uma amargura," 
É soluçar nos braços da saudade,
Dos distantes momentos de ternura.

de egê valadares
do livro poeira e flor vol II


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