domingo, 10 de agosto de 2014

O HOMEM

O HOMEM.

Oh natureza viva!  Quão afável e bela é sua feição,
E não a enxerga o homem, cego de ambição. 
No amanho da terra ele escava, é cruel, é letal;
Lavra, ateia o fogo demoníaco, insano e mortal.  

Perdido combate, é a terra contra a destruição
Que a natureza trava sem ferramentas, em vão!
E lhe vem o fogo sua morte impor, cruenta dor.
E que força lhe pode às vorazes chamas impor?

Bruxuleia a fumaça sobre todo virgem dossel,
Lágrimas não restarão, não sobrará o doce mel,
O céu perde a cor azul, sua pompa, sua clareza...
Tudo contribui na destruição da mãe natureza.

Do seu altar, majestosa, toda ela agora é ruína,
Queimo da chama, queima dos capinzais a crina.
 Impõe-lhe o fogo o calor... queima, estorrica,
No ventre uma grande dor, em cinza que fica.

Vem festiva chuva e lambe a ferida dilacerada...
Molha o chão, e o trigo semeiam mãos calejadas.
O tempo, o pendão doirado do trigal enfeita.
Os cachos  da riqueza, o sorriso da colheita.

Alívio! Assim se vai o cruel, eterno inimigo!
Com feixes, agora aos ombros do fulvo trigo!

de egê- sp


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