sexta-feira, 9 de maio de 2014

MAMÃE

MAMÃE

Teu doce colo em que me punhas a sonhar, a brincar com meus cabelos e rir dos meus segredos que  te revelava com sutilezas inocentes, estendendo-te os braços, pedindo colo para meu refúgio. Minhas imaginações de medos, de demônios assustadores, e o escuro na agonia dos ventos uivando no telhado, e quando preso em minhas pernas de menino tu corrias para mim. Noites guarnecidas de silêncio, prosas chuleadas ao pé do fogão de lenha onde hoje não mais crepita o lenho de nossas emoções!... Aquela casa abandonada! Rastros de lembranças nas veredas esquecidas de nossas idas e vindas buscando água na fonte de doçuras. Tuas mãos incansáveis da busca, do semeio, da panha da sobrevivência. Quando inesperadamente em seu peito suspirava um adeus antecipado e as mãos trêmulas prenunciavam despedida.  Partiste, levando o que de especial havia em nós; a felicidade.  

saudades


 

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