terça-feira, 29 de abril de 2014

NESTE LEITO.

NESTE LEITO.
Fecundos sonhos em meio a sorrisos!
Penso e logo me desconheço
em minha ternura rara...
O silêncio abre a barba escura
sobre as palavras proibidas.
Essa deveria ser a hora crespa
em que me tornaria noite sem cor
ao rufar dos tambores sufocantes.
Fecundam-se os espectros à luz
, em poalhas tímidas e
gemidos de dor!... Vãs companhias.

Ressurgem e se excitam,
Convocam-me para a dança,
Dispo-me de meu pudor.
Dedos alegres ditam o ritmo frenético
do batuque lépido da febre em chamas
sobre o vazio dos lençóis molhados.
Transportam-me, e a viagem é presságio
de crueza. Intumescidas pálpebras
se apoderam do silêncio trancado
dos olhares de demoras.

Quero meu tempo inocente dos cata-ventos,
os giros das bolinhas de gude na poeira,
os pés descalços disparados de meus sonhos!
 
Vejo a crer que o instante passou
E mesmo sem nada dizer
 percebo que sobrevivi.

egê - sp


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