sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

MINUTOS DE DELÍCIAS

  1. MINUTOS DE DELÍCIAS

    O estreito atalho de piçarras nos levava ao regato de águas claras, sobranceado por ingazeiros floridos , e o borbulhar da fonte misturado ao burburinho das crianças dava ao lugar selvagem o tom daquela manhã de algazarras e molequices.Éramos em muitos filhos e mamãe prometera nos levar para colher frutos silvestres naquela manhã de final de primavera, e para isso nos munira com capangas de algodão, colocadas as nossas costas para a panha; araçás, jabuticabas, cajuzinhos do campo e muitos outros.
    Era o nosso primeiro passeio juntos a ela, tão indouta e tão meiga; distribuía sorrisos a todos, sem precisar de motivos para isso, e descalços a seguíamos pelas sombras refrescantes das figueiras.
    Muitos eram os arvoredos de folhas diferentes e a cada um, entusiasmada, mamãe dava um nome muitas vezes engraçado, apenas para nos divertir. Sabíamos pelos seus olhos que não passava de uma doce brincadeira.
    Já nos distanciávamos da nossa velha casa e o sol ardente nos deixava mais cansados com aquela caminhada em ziguezague, ansiosos pelos frutos.
    O calor intenso parecia nos dobrar, numa sofreguidão intensa e desanimadora, só terminando ao depararmos com os clarão de uma pequena planície aberta e referta de cachos de cajuzinhos vermelhos e saborosos; uma festa, enquanto mamãe sorria feliz a nos contemplar com tamanha alegria.
    Ao chão, mansa e lentamente estendeu uma branca toalha de mesa e sobre ela doces e biscoitos. Ali nos sentamos todos a saborear a doçura, aos sorrisos de lábios finos de nossa mãe.
    Saudades.
Do livro poeira e flor vol II

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