domingo, 5 de janeiro de 2014

APENAS UM CONTO

APENAS UM CONTO. 

Ontem, pela manhã, o sol estava de rachar! Tentei algumas ligações e notei que o crédito havia acabado e logo tratei de ir até o mercado mais próximo.
    Mas ao sair deparei-me com uma senhora que logo supus ser a dona de uma lavanderia num bairro próximo. E era! Era ela, aquela mulher que por várias vezes enviuvou-se, sem no entanto perder a sua beleza. Falada, rebuscada, de um poder de conquista sem igual. Era ela, a mulher que todos desejavam, mas que por precaução tinham medo, medo de serem os próximos extintos. E até disseram que ela sufocava o marido de tanto fazer sexo.
   Quanto a mim, não a conhecia e nem desejava conhecê-la até então, mas, “se eu não mudar com as circunstâncias, o que esperar dos outros”?! Afinal, agora sou um coroa solteiro e sem compromisso! Um tremendo desafio para um homem que só teve uma mulher na vida; baita inexperiência...tempos inocentes! Acredite quem puder!
   Sem nada dizer, percebi que era a tal Maria Costuda.
   Interessada em fornecer seu serviço na lavagem de roupas, convidou-me para uma visita à sua lavanderia, deixando-me surpreso, e por que não dizer: preocupado?!
   Juro por minha ingenuidade que, nem maliciei tal proposta, marcando para as quinze horas estar lá com ela, mesmo porque, não conhecia uma lavanderia industrial.
    Rua estreita, com números confusos, acabei por encontrar e logo estava eu frente a frente com aquela exuberância; sorridente e feliz. Seria mais um pássaro na gaiola? Talvez !
Falou-me de mil coisas, menos dos extintos, sufocados de delícias.
   Procurei disfarçar meus anseios, roendo as unhas, passando a mão nos cabelos, limpando os óculos...enfim...
  Com ares de dominadora, fitou-me no fundo dos olhos, e para minha surpresa me chamou pelo nome, pois quase ninguém sabe o meu primeiro nome.
   Concentrei-me na possibilidade de uma fuga, mas a sua beleza parecia invadir meu ser carente; da presença feminina.
   Trancei os dedos em meu silencio, com ela a me isntigar. Fiz-me difícil, não era ainda o momento para aventuras. Mas, aquele olhar lancinante, provocante, quase ginecológico me estraçalhava. Aquela “disgranhenta”, o que ela queria de mim?!
    Estava eu ali firme, e cada vez mais entrando no jogo dela. Nem seu nome ainda sabia, mesmo sabendo quem era ela! Arriscar?
Por alguns segundos ficamos a nos fitar, olhos nos olhos...uma linda sensação!
e aos fundos uma enorme cama vazia.
Prazer em conhecê-la!
Prazer, Maria Costuda!

de egê SP, 05 de janeiro de 2014



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