domingo, 16 de junho de 2013

O VELHO PALHAÇO

O VELHO PALHAÇO  

Fecharam-se as cortinas, nenhuma palma se ouviu e a platéia se calou... e o palhaço gargalhou, e gargalhou em histérica cólera de emoção. O seu tempo passou! A idade chegou e a graça acabou! Para seu lar ele voltou e no colo de quem sempre o amou, seu velho corpo jogou...  e gargalhou. Ao olhar aquele rosto que nunca deixou de lhe sorrir, ele quase chorou...  quase chorou de dor, quase chorou de amor! Sabia que seu ultimo espetáculo passou... do  velho rosto a pintura tirou. Andou até o velho espelho e assustado se olhou...  nenhuma  graça ele achou naquele rosto triste e cansado, acompanhado da ex-donzela que conhecera há cinqüenta anos ao os desfilar na passarela, nunca deixou de aplaudi-lo e que ali estava para levantá-lo quantas vezes precisasse e sorrir para ele quantas vezes ele quisesse e chorar com ele quantas vezes ele chorasse.
     Mas não precisou! Os seus olhos ela fixou  por um momento e o que ela sempre vira não mais encontrou e em sua boca um beijo gelado ela selou, puxando para si o velho corpo, tentando aquecê-lo sem conseguir.
      É um velho corpo... pesado demais para ela, e tombam sobre o carpete  de cor quase amarela. Na boca do velho palhaço um filete de sangue escorre pelo seu próprio espaço, manchando o carpete puído pelo tempo.
      Um pedido de socorro soa no ar...  ninguém ouve, ninguém vai lá! Então ela começa a gargalhar... gargalhar, sem sequer um aplauso da platéia!  E gargalhando ela  se abraça àquele corpo sem vida e então desmaia, para nunca mais aplaudir seu velho amor, seu velho palhaço que nunca chorou!...

Do livro Poeira e Flor vol I

 


 

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