domingo, 2 de junho de 2013

MATUTO POETA

MATUTO  POETA

Em seu casebre de reboco, solitário,
Das encostas cheirando a flor silvestre,
Geme o caboclo inundado de saudades,
Chora a viola no silêncio do agreste.

Suas lembranças nas estrelas ele soletra
No velho céu de muitas luas já cansadas...
Na inércia de tantas noites mal dormidas,
A distancia entre bocas tão beijadas.

Num incontido soluço de amarguras,
Chora o matuto a ausência da amada...
Caem- lhe na alma orvalhos de ternuras,
Nasce um poeta ao sabor da madrugada.

“Nasce o poeta na glória do acaso,”
Revérbero de luz que lhe o parto agracia...
Fecunda brisa que lhe a alma inspira...
Chuva de ternura derramando poesia.

Vibra nas cordas da viola doces versos,
Dedilhando nos poemas o seu langor,
Soletreia nas estrelas as desventuras,
Sussurra ao vento doces canções de amor.

Se de suas dores, um doce poema extrai,
E das estrelas tão distantes tem o flerte,
É ele, por tudo isso, um poeta pronto...
Dando vida, lirismo e amor ao inerte.
.
Do livro poeira e flor vol II


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