quarta-feira, 22 de maio de 2013

UM POUCO DE PALHAÇO


UM POUCO DE PALHAÇO

 Quando as luzes já cansadas de esperar...  surge no picadeiro o palhaço!...
 

Restam-lhe apenas os vestígios das luzes mortas,
Gargalhadas de silêncio, senhas de alma inquieta,
Ao rasgar das cortinas mudas e destecidas...
A desoras que o tempo ainda lhe permite sonhar
Rufando em vão o peito cheio de vazio, desperta.

Ao dobrar das pálpebras às luzes da ribalta chora,
Desnudo das vestes que lhe o tempo derruiu...
Nada resta-lhe, tampouco o brilho da ribalta,
Sem pintura o rosto, esmaecida graça... cala-se.
Luzes sem cor, cadeiras vazias... ninguém aplaudiu


 -Houve um tempo de ternura em minha vida em que eu imaginava,  que o palhaço era um menino... um menino diferente e feliz...que nunca chorava e sempre gargalhava, fazendo delirar a platéia ingênua ou que ansiava por essa ingenuidade.
Piruetas, tropeços, as atrapalhadas  e seu próprio rosto compunham um todo de alegria...numa profusão de humor desejada pela platéia.
Assim, eu também me sentia um menino, louco de vontade de subir no picadeiro... ser também um palhaço. Aliás, até hoje trago essa vontade dentro de mim. Quero ser um palhaço... coisas de menino! Um menino antigo, que trouxe da infância um pouco daquele palhaço.

do livro poeira e Flor  vol II



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