sábado, 18 de maio de 2013

AVE SEM NINHO-o andarilho


AVE SEM NINHO- o andarilho

Buscar no espelho o olhar do passado,
Interrogar a moldura de confusos abstratos,
Regressar  às lembranças...começo de estrada,
Perder-se nas sombras de  velhos retratos.

Ser um menino correndo com o vento...
Olhar de inocência, devorando ansiedades,  
De nascença sem data, e destino sem chão,
 Buscas confusas,  irremissíveis  vaidades.

Desfaz-se das preces, ateu, um herege ,
A estrada, seu mundo, o acolhe, o abriga...
Livre, errante, ave migratória, andante!
No mutismo se tranca...íntimas intrigas.

Vida sem enredo...acasos, o medo,
O pão dormido com sabor de lua,
Rotinas de sede, de fome amanhecida,
De atalhos, andrajos, sobejos de rua.

O escuro do “eu”perdido, sem volta,
Gélido e cruel relento de amargura,
Nos trapos se agasalha com alma ferida,
Restolho de vida...de frios e pauras.

Do livro poeira e flor vol II

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