quarta-feira, 20 de março de 2013

QUERENDO CONTAR ESTRELAS- conto


Mamãe, analfabeta, na mansuetude de seu jeito peculiar, sempre trazia nos lábios  o trinar de alguma canção, passando para nós um jeito simples de se ser. Mas as vezes não era tão cômodo aprender apenas com seus gestos e silêncio,  quando sua voz já se fazia canção; melífluas cantilenas de amor e sabedoria,além da contagem  que nos ensinava  das estrelas pintando o céu; o básico para se saber  o  porquê do dividir para se saber multiplicar.
    Não sabíamos no entanto que ao aprender contá-las, estávamos na verdade, aprendendo a falar com elas; amá-las e entendê-las, ou não compreender porque estavam sempre no mesmo lugar, com a lua  vadiando pelo espaço, cortejada por olhares atentos e curiosos de menino assustado, sem ter o que fazer.
     Mas o tempo passou e hoje meus filhos não contam a mesma história pois quando eram crianças eu não tinha tempo para eles, não tinha tempo para as estrelas, não tinha tempo para o luar. Não mais vejo estrelas, não vejo luar e nem meus filhos eu vejo mais

do livro Poeira e Flor, vol II.

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