terça-feira, 19 de março de 2013

MINHA ALDEIA, MINHA CANÇÃO...teu rio manso


MINHA ALDEIA, MINHA CANÇÃO
           -Rodeador-

Teu rio manso resvalando por encostas,
Águas ligeiras, alegres e barulhentas,
Teus areais de perdidas caminhadas,
Minhas pegadas nas estradas  poeirentas.

Tua velha ponte de aroeira derrubada,
Chora a ausência deste que é teu filho,
Cachoeiras que defluem de teus  montes,
No revérbero encanto de seu brilho .

Azuis montanhas te envolvem no abraço,
Ao aconchego de tuas águas viageiras,
A brisa fresca que desperta das “tocaias”, ***
Junto as poalhas das estradas boiadeiras.

Tuas cascatas derramando águas claras,
Em cujas espumas prateadas me banhei...
Décadas de ausência fundidas na lembrança,
Em teus granitos anegriscados eu grafei.

Nas espichadas lerdas prosas nas varandas,
Tecidas de segredos... mistérios do lugar,
Nas calçadas, respirando madrugadas,
Ou nas varandas se banhando de  luar.

Tantas saudades debruçadas nas janelas,
Dos velhos muros de heras que irriguei,
Hoje sou brumas do que fui noutras manhãs,
Muitas lágrimas por amor eu derramei.  

Nasci de parto, a desoras, das estrelas...
De ti eu vim... de tuas léguas ancestrais,
Pra ti eu volto, em versos e devaneios,
Dormir na areia o sono de teus cristais.

O silencio de suspiros é o meu grito,
Que por recônditos teus agora ecoa,
Com saudades de ti agora eu vivo,
Resmungando, vivo chorando à toa!

Canção da volta nas espumas efervescentes...
Dulcífluas águas mais limpas que conheço,
Voltar pra ti, são devaneios, tardiamente...
Vou desvivendo em cada tempo  que amanheço.

***Referência cia a Serra da Tocaia em Rodeador,MG, a minha aldeia.

Do livro Poeira e flor vol II

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