segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

PEDAÇOS DE SONHOS


Em meu caminho há moldura de retrato
Retocado, em paredes de reboco derruídas...
rostos tristes , decrépitos...olhar abstrato.
entalhados por cinzéis em feições esquecidas;

Há candeeiros de fumarenta claridade,
Um retrato do seu cavalo marchador,
Que de idade já poído e desbotado,
Na parede pendurado papai deixou.

Umas lembranças a um canto esquecidas:
Um velho laço, um cela e uma azagaia...
Não mais vejo na porta a me esperar,
Mamãe  sorrindo em vestido de cambraia.

Não mais vejo espigas embonecadas,
Dourado milho fecundado no verão,
Não ouço o grito do carreiro na estrada,
Nem os latidos do “maiado” no portão.

Ante as lembranças de tantas despedidas;
Papai partiu de repente , sem aviso...
Quanto soluço no silencio da partida!...
Mamãe se foi com a doçura de seu sorriso.

Não sinto o crepitar das fogueiras...
São João, são Pedro e o Casamenteiro,
Cantilenas nas colheitas do algodão,
Nem as luzes da girândola no terreiro,

Quando os passos já não cabem no impulso
De minhas buscas, ansiedades  e partidas...
Ao silêncio deste mutismo vou vivendo
À sombra de uma paixão mal resolvida.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: Se você não é nosso(a) seguidor(a) e deseja deixar uma mensagem, escolha abaixo "Comentar como ANONIMO" e clique em PUBLICAR.

Escreva seu comentário abaixo: