quinta-feira, 22 de novembro de 2012

SAUDADE DE VERDADE...foi-se o tempo


SAUDADE DE VERDADE!!!


 Foi-se  o tempo  das lerdas prosas...gostosas!
Dos senhores nas calçadas
Ou nos bancos dos jardins!
Foi-se o tempo da demora...
Sem a pressa, na janela
A senhora  a espreitar
Os trejeitos da donzela
De tão florido rebolar.

Foi –se o tempo do seresteiro
De voz melíflua sua dor cantar
Ou doces versos aveludados
Para sua amada escutar...ao luar!
A noite por companheira,
Nos ombros de seu violão,
Dedilhando sentimentos
Nas cordas do coração.

Foi-se o tempo das cirandas,
Cantigas de roda e o baião,
Dos duetos e das folias,
Das fogueiras de São João...
Histórias de vidas passadas,
Causos de assombração,
Sonhos voando ao vento,
Ventos  levando balão.

Foi-se o tempo das azagaias,
Antanho  de nossos ancestrais
Das estradas e as boiadas,
Dos berrantes e seus sinais,
Boiadeiros e pousadas,
Do tropeiro mercador
Pelas sendas e veredas,
Cantando saudade e dor.


Foi-se o tempo do garimpo,

Vibrando na dança a bateia,

Das  pepitas centelhas doiradas
Ao fogo brando da candeia...
Ortiva sorte na cadente estrela
De magias entumesce a lua cheia...
Sobre seixos o garimpeiro sonha ,
Por suas agruras o céu pranteia.

Foi-se o tempo das saudades,
Das cartas cheirando a flor...
No papel um beijo tascado
Trazendo um cheirinho de amor
De batom uma boca formosa,
Expressando grande dor
 Quando saudade era de verdade
Quando verdadeiro era o AMOR!

do livro Poeira e flor vol II



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