sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O CAMINHEIRO E AS FLORES....caminheiro que seguias...


Caminheiro que seguias os passos da lua,
Decruada alma em banhos de sonhos...
 Centelhas  vertiam-te dos olhos graúdos,
Contigo trazias o semblante risonho.

Nas encostas floridas de veredas vazias
Colhias sementes de flores silvestres,
Semeando-as feliz em outras encostas
De veredas poentas de recantos agrestes.

Contavas as estrelas dormindo ao relento,
A cada uma delas pelo nome as chamavas.
Distante , porém,  estrelas carentes
Chamavam por ti e tu não escutavas.

Azuis , pequeninas, belas e cativantes,
Solitárias, vivendo e vagando ao léu...
Nasceram das mesmas sementes espalhadas
Pelos ventos levadas...plantadas no céu.

Nunca soubeste quantas flores nasceram
Das sementes por tuas mãos semeadas,
Enquanto a lua, no horizonte, se afastava,
Nas encostas nasciam flores perfumadas.

Dantes veredas e encostas esquecidas,
Estradas vazias  sem cores   e sem vida!
Coloridas agora, exalam perfumes
Pelas encostas de sendas e penedos floridas.

Se das sementes das flores nasceram estrelas,
 De teus sonhos as sementes poderão aflorar
No deserto vazio da lua sempre em fuga,
Se em tão árida face o vento as semear.

Cansados os poetas das flores daqui,
Voltarão seus olhares para as flores de lá...
E tu, meu caminheiro, nas asas do vento,
Sementes de sonhos no céu  plantarás.


poesia de 1995
do livro Poeira e flor

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