terça-feira, 18 de setembro de 2012

O VELHO PALHAÇO...

Fecharam-se as cortinas...nenhuma palma se ouviu e a platéia calou-se.O palhaço gargalhou...gargalhou, em histérica cólera de emoção. Silêncio. Mas o tempo passou! A idade chegou, a graça acabou e para casa ele voltou, para o colo de quem sempre o esperou, de quem sempre o amou...seu velho corpo jogou. Ali gargalhou...gargalhou, a olhar aquele rosto que nunca deixou de lhe sorrir, quase  chorou!...Quase chorou de dor, quase chorou de amor! Sabia que seu último espetáculo passou, e do velho rosto a pintura arrancou. Andou até o espelho e assustado se olhou e nenhuma graça ele achou naquele rosto triste e tão cansado. mas estava acompanhado por aquela ex-donzela que o conhecera há cinquenta anos ao desfilar na passarela e que nunca deixou de aplaudí-lo e que ali estava para levantá-lo, aplaudí-lo, quantas vezes fosse preciso. Sorrir para ele quantas vezes seu lindo sorriso lhe fizesse bem. Abraçá-lo e beijá-lo, quantas vezes precisasse e ajudá-lo a chorar, quantas vezes ele chorasse! Mas não precisou; nos seus olhos ela fixou-se por um momento, e o brilho que ela sempre vira não encontrou e em sua boca um beijo gelado ela selou, puxando seu velho corpo para cima do seu, tentando aquecê-lo em vão.
   É um velho corpo pesado demais para ela e tombam sobre o velho carpete de cor quase amarela. E da boca do velho palhaço um filete de sangue escorre pelo chão, manchando o velho carpete derruído pelos anos.
   Um grito. Um pedido de socorro soa no ar.Ninguém ouve, ninguém vai lá. Então ela começa a gargalhar, gargalhar, sem sequer um aplauso da platéia. Gargalha, e abraçada aquele corpo sem vida ela desmaia, para nunca mais aplaudir seu velho amor ...seu velho palhaço que nunca chorou.

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