quarta-feira, 15 de agosto de 2012

GRUMOS E PEDREGAIS...poeira no rosto, meu...


 

Poeira no rosto, meu corpo suado,
Um lenço surrado de puro cetim,
Bruaca de couro, chapéu de aba larga,
Minhas velhas botas e calças de brim...
O meu desabafo de tantas saudades,
De alguém que ficou chorando por mim.

A sela enfeitada com estrelas de prata,
A guaiaca branca também enfeitei,
Meu burro estradeiro de marcha trotada,
Na festa de peão um dia eu comprei...
Deixa no rastro uma história de amor,
A mais linda flor que eu já conquistei.

Um par de estribos de ferro polido,
Um laço trançado de couro mateiro,
Meu velho colchão é o pelego amarelo,
O alforje surrado é o meu travesseiro...
Componho canções rabiscadas no vento,
Cantando momentos de um boiadeiro.

O céu estrelado, minha eterna morada,
A noite soluça meus momentos de dor,
Eu afino a viola e soluçando com ela,
Pranteio a saudade de meu grande amor...
Degustando a doçura de seus doces beijos,
De seus lábios desejo beber seu sabor.

Um dia sonhei, era ainda um menino,
Que o meu destino era ser boiadeiro!
Hoje levo a vida comprando gado,
Montado no lombo de meu burro estradeiro...
Meu nome eu gravei na estrada do tempo,
Pra ficar na memória de meus companheiros.

Do livro poeira e Flor...vol -I

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