domingo, 29 de julho de 2012

MEU VELHO PAI, MEU CAPITÃO....éh...meu velho pai...

      Éh...Meu velho Capitão, meu velho pai, hoje é o teu dia, como todos os outros também! Senta-te aqui meu velho, porque quem vai contar uma história bonita hoje sou eu. Não será tão bela quanto aquelas que me contavas quando ainda era eu uma criança, mas vou tentar:
      Não precisas mais contar as tuas, pois cada ruga em teu rosto de herói representa uma batalha travada pelos mares da vida; cada luta, cada vitória e essas mãos calejadas mostram bem quantos anos estiveste grudado ao leme do grande barco...com esses pequenos olhos a espreitar o horizonte do oceano de águas revoltas e bravias... de iradas procelas, desviando teu barco do perigo.
      Semanas e meses fora do lar, mas pontualmente regressavas no dia marcado.- Quantos mares conheceste,quantas terras visitaste e quantas línguas aprendeste! Que eu me lembre, por mais e mais linguagens estranhas que aprendias, nunca conseguiste esquecer a linguagem do teu lar e como eram doces as tuas palavras ao conversares conosco ali perto da lareira, enquanto mamãe te fitava admirada e em silêncio, com as mãos ao queixo. O teu jeito gentil e sincero, só podia ser de um grande homem; experiente, sem mágoas, escondias nos atos a tua bravura; temido, porém amado por todos.
      É claro que muitas lembranças me vem à memória, mas a mais doce de todas, era quando regressavas...tomando-me no colo e me chamando de capitão, meu pequeno capitão, estufando de orgulho o meu peito de criança. Sentia-me na infância, também um capitão, mas ao crescer, fui notando em ti tantas outras qualidades que ao compará-las às minhas, concluí que nunca passarei de um pequeno marujo sonhador e jamais um capitão. 
     Lembro-me bem, meu velho, que ao adoecermos ou quando tínhamos grandes alegrias, principalmente no Natal, muitas vezes em teu rosto eu vi lágrimas e vi silêncio. Eram os sinais da grandeza do coração maior, da sensibilidade á flor da pele. Lembro-me também das tuas palavras... macias e doces palavras que balbuciavas, tentando nos confortar nos momentos mais amargos e difíceis de nossa vida.
      As tuas brincadeiras!...Ah!... As tuas brincadeiras. Teu carinho para com a mamãe, o respeito para com os vizinhos, os conselhos aos amigos!...Tudo isso escondia o homem destemido, um guerreiro, o grande homem...o grande capitão.
   Eu, teu filho, me orgulho muito de ti, a quem carinhosamente, chamarei para sempre de
Meu Velho Capitão----Obrigado meu pai!

do livro poeira e Flor vol . I


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