quinta-feira, 28 de junho de 2012

AGUARDEM-ME...trago de menino o riso...


AGUARDEM-ME. trago de menino o riso das flores...

Trago de menino o riso das flores e uma mala de saudades. Trago nos pés as marcas do caminhar descalço e na alma o retrato de minha gente, rabiscado no caderno de minhas paixões. Trago a doçura das vozes afloradas daquelas prosas, costuradas nas varandas de nossas lembranças e a fuligem das carvoarias intumescidas de fornos quentes. Trago o som da algazarra... melífluos cânticos do sabiá, príncipe de minhas madrugadas. Vejo na minha imaginação  a molecada correndo atrás  da bola, quicando no campo de terra. Trago entranhado em minha memória o cheiro forte dos alambiques jorrando a cachaça nos barris; o engenho, a fornalha, o homem ligeiro e dedicado. Trago velhos retratos amarelados de meu rio Pardim de peixes saltitantes ao reflexo do sol. Trago o cheiro das queimadas para o plantio. Trago nas mãos os calos envelhecidos da foice e da enxada. Trago o sabor das conversas nos botequins molhadas. Um som manhoso do carroção de bois na tritura  do cascalho branco. A velha ponte de madeira gemendo de idade. Trago na lembrança punhados de terra amarela e  areia brilhante de nossas tardes morenas. Trago nos lábios uma prece e na alma uma louca vontade de voltar!...

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