sábado, 14 de abril de 2012

O FERREIRO E A ESPADA...esquálida forja; fornos cinzas...


Esquálida forja; forno, cinzas e hulhas...fagulhas.
Rubro aço, a bigorna, o malho...limalhas ao chão.
Ínclito, intrépido, leal; cuteleiro lesto...tradição!
Olhar que luz a fé, a lida, a devoção...postedade.
Homem e fogo, sagrada duidade...fusão,
Segredos furnados,  desteridade...sapiência.
Entre gotas esparsas, sorrisos, inspiração.

Tinge-se de fascínio à espada pronta...hirto sorri...
Prenda ao ferreiro...senhor do fogo e arte, sim!
Mãos toscas, ágeis, ásperas...e fino esmero,
Espada nua, corte afiado, brutal durindana,
Elemento másculo da guerra... morteira,
 Indomável , selvagem, bárbara, espartana...
Sanguinária, letal...nas mãos do guerreiro.

Do primevo ofício de seus ancestrais,
Nas veias da vida flamejam primores...
É a magia que a forja do tempo poupou.
Cuteleiro ressuma suor da alma cansada,
Das assassinas espadas que ele forjou.
Fráguas purpúreas bruxuleiam em fuligem,
Espectros de tantos que a espada ceifou.

Da forja o ventre em despojos e limalhas,
Ao negrume da sombra do sórdido chão,
Afogueia o carvão da empoada fornalha...
Reflete aos lampejos de lucernas e chamas.
O aço da espada ... pra sangue e mortalhas...
De olhar ferino, disseca o ferreiro,
Lê-se-lhe na alma igníferas  batalhas.

Na bigorna estralejam  golpes certeiros
Do martelo sagrado que dá forma e beleza,
Aflorando  a pureza, com esmero e primor...
Entre a água e o fogo geme o ferro ferido,
Deixando nos ares que levite o vapor.
Na refrega do oficio o homem enobrece...
Moldando o que fere com arte e louvor.

A alavanca, o fole ofegante assopra...as chamas.
Ferro ao fogo, aço na água, geme, estrala...grita
Bate e rebate o malho, bigorna, ferreiro...audaz.
Sufrideiras, berbequins, tufos e craveiras ,
Rebolo e çafra, serra, limalhas...e tenaz.
 Ressuma o cornato... lágrimas de inspiração
Aflora-lhe na alma a arte que lhe apraz.


Dos bárbaros prélios de ódio e mortalhas,
Nos olhos do mago refloresce  o fascínio
De épocas vividas nas guerras brutais,
Centelhas que luzem instantes presentes
Da arte extraindo instrumentos letais...
Colhendo por hábito ódios plantados
Em terras distante e guerreiros rivais.

Em qualquer alma em que o ódio se ponha,
Segue-a  o conflito macerando a virtude,
Que a leva junto ao ódio ao final traiçoeiro.
Assim é a crua espada, que ferina se instala
Na cruel e sanguinária sina de um guerreiro.
Juntos se doam, desafiam  e sucumbem,
Juntos enterrados  no repouso derradeiro.


escrita e registrada em nov de 2010

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