segunda-feira, 23 de abril de 2012

ABEL E A FAMA...do violino evolavam-se os sons...

ABEL E A FAMA.
Do violino evolavam -se os sons pausados e merencórios de uma valsa triste e uma harpa dourada fazia fundo para momentos de porre...saudades de velhos companheiros, já distantes da bola e dosgramados. -Um copo de vodka para o frio de inverno e mais um para as saudades inquebrantáveis.
Sua fama de jogador percorrera o mundo, mas seu futebol em decadência lha mirrara , jogando num time de segunda divisão, pelos campos da velha Rússia. Neviscava! Seu sonho de retornar ao Brasil, sua pátria, estava preste a acontecer, sabia que não teria chances em sobreviver por ali com seu futebol já fragilizado.
O garçom trajado a caráter, de cossaco,trazia nas mãos uma garrafa vazia, retirada de uma das mesas, onde um beberrão já se entregara aos deleites, discursando eloqüentemente, esbravejava sobre coisas do proletariado.
Todas as luzes se apagaram na ribalta e derepente adentraram graciosos arlequins, trazendo um frenético sapateado russo e a ingênua polca austríaca da época imperial,acompanhados por flauta e acordeão.
Entreolhares curiosos, o dele não deslocava do grandalhão enfurecido que logo o reconheceu, vindo em sua direção, cumprimentando-o com um sorriso ao canto da boca. Trazia um olhar vibrante pela surpresa do encontro casual. Chamava-seYaskovit e queria falar de futebol, quando lhe propôs pagar a despesa, o que de pronto aceitou.
Gentilmente se despediram, trocando números de telefones para posteriores contatos. De enorme barriga, mal abotoava o seu surrado paletó sobre a blusa grossa de lã, saiu cambaleante, levando mais uma garrafa as mãos.
Tristonho, Abel recordou coisas quedeixou para trás e uma dor inundou seu coração; lembrou-se de sua infância, seu sucesso, sua terra e sobre o copo, em soluço, ressumou algumas lágrimas e dor. Não lhe mais importavam as danças e os arlequins, quando alguém tocou com as mãos em seus ombros. Era uma senhora loira, de sorriso largo e macio...bonita até! Queria conversar. Mulher de aparência vibrante, era a responsável e patrocinadora daquele grupo de dançarinos.
A neve havia caído durante toda a madrugada e o frio era causticante. O sol mal dava sinais de sua claridade. Aos tropeços, Abel buscou seus aposentos e nunca mais se apresentou ao clube, onde atuava  como principal artilheiro. Meses se passaram!...
Alguém teria assistido a um show daquele pequeno grupo de dançarinos em Bohemia, onde Abel surgiu no palco exibindojunto àquela loira uma graciosa polca austríaca.


ESCRITA E REG EM JAN DE 2009 do livro poeira e flor

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