domingo, 25 de março de 2012

PRECES- velhos retratos dependurados...

MINHAS PRECES INUTEIS.

      Velhos retratos dependurados, constrangidos,  não sorriem e pedem mudança, cansados do reboco  e da fuligem. Fotografias amareladas, guardadas no baú, pedem para ser rasgadas, por incontáveis décadas relembradas e não restarem mais saudades! Cartas perfumadas, com esmaecidas marcas de batom  perderam suas validades e ...  O tempo, fadigado,  pede uma trégua e novas melodias ... ponteiros corroídos!... E o grito do silêncio amordaçado pede socorro, inundado de segredos, tem o direito da revelação! Intrépidas montanhas querem a dança, mesmo que efêmera, mas orquestrada!
     O sol que nunca deixou de brilhar, inquire-se num silencio sem respostas, com o desejo  de parar... exige outra rota que o faça fugir do foco...dar espaço a lua intumescida, estremunhada de pernoites. As águas cobiçam os cumes, de onde desceram por sulcos de ravinas. Mariposas querem o sol , fartas da dança e lâmpadas frias de ruas perdidas e melancólicas. Murcham-se silentes as flores tristes, de sentimentos para o amor nascidas, sem motivos para eloqüência dos poetas.
     Recusa sonhar o seresteiro, que leva no coração o cântico de todos nós. Pálidos, os  cogumelos rejeitam  a inércia, fugindo das sombras frias ... e  contínuas horas que lhe sorveram as cores.  Cansou-se a sinfonia dos pássaros e a eufonia cedeu lugar às ásperas gargalhadas dos dementes ...imutáveis predadores...os traidores de sentinela.

do livro Poeira e Flor   vol II

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