terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

MAL AMADA. sentiu-se só...beldade envaidecida...


MAL  AMADA
Sentiu-se só!...Beldade envaidecida, olhou-se demoradamente no espelho e contemplou-se no passado distante. Na fascinante beleza de sua juventude, cercou-se de motivos alegres e contagiantes e bebeu nas melhores taças finos vinhos de imaginações.
  Fitando cada rosto nos retratos da parede envelhecidos, jogou-se desgrouvinhada sobre o sofá macio. O pequeno despertador sobre a mesinha de centro , silencioso, deslizava macio seus  ponteiros preguiçosos... sobre as horas demoradas. Serviu-se na estante de seu best seller  preferido, e sem o ler, repassou algumas páginas iniciais. Fechou-o pensativamente, foi até a janela voltada para a alameda de luzes acesas, ouvindo sirenes e buzinas rascantes... rebuscou lembranças. Sentiu latejar seus pulsos magros, deixando escapar leves sorrisos a um canto da boca. Um certo perfume impregnado em seu guarda-roupa despertou-lhe carências. Talvez não tenha amado o suficiente, e isso traz reciprocidades... imaginou. Olhou-se novamente ao espelho tentando descobrir em si, algo que nos homens despertara a indiferença. Havia algo! Ali não refletia sua alma...era uma beleza vazia, desprovida de sentimentos... e chorou! Um choro incontido, de ressentimentos, distância, indiferença!...
Perfumou-se exageradamente, pôs na melena uma flor. Tomou do bar a cheia taça e do deletério bebeu. Jogou-se em seu vestido vermelho sobre o carpete grená...sentiu-se mal amada e levitou!...


registrado em março de 2011. postado pela filha.

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