segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

FUGA- no meu agreste de cabanas tristes...

No meu agreste de cabanas tristes e sorriso escasso, de gente tímida sobre a terra, onde o cio não apetece e não ressurge o verde. Ali, onde do rosto faísca um faminto olhar, gente em farândolas cruzando as cinzas, rebuscando a vida na odisséia dos esquecidos; confusos e núcegos, levam na alma a tatuagem de fuligem...Pessoas!... enrustidas e definhadas almas em andrajos, ao hórrido sol que destruiu seus sonhos, sol escaldante que nunca se vai!...
Não levam lembranças!...mas nas conchas das mãos sinais de grandeza, calos profundos, espólio de um passado de luta renhida, vítimas de reveses que não criaram. Filhos pequenos que se vão doados aos olhos da derreada mãe. Mãe de choro curto, mas sua dor se esconde na mais recôndita curva de seus sentidos.
Tentalizam riquezas e tem miragens; nuvens e ventos ensaiam chuva na ardência de suas necessidades e se curvam para a última súplica na ânsia de um apetite que voraz aumenta
Um temporal se arma e chove...gotas de lágrimas se misturam a chuva, a cada gota se agarram como insanos nas grades da aflição.
A magia dos vergeis rebenta inteira, colorindo montes e chapadões. Nascem aos sorrisos doces, perfumadas flores...Então se alegram e festejam ...pinta de verde o crespo agreste de suas nostalgias e voltam para suas cabanas tristes.

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