domingo, 11 de setembro de 2011

POR FALAR EM CONSELHEIRO MATTA!...matuto, mateiro...

Matuto, mateiro, seja como for, eu venho de lá de trás daqueles  montes  e rígidos rochedos, onde se cultiva o obedecer e o vento faz suas preces à sombra de seus ciprestes... sua escola foi meu altar e a minha fé. No ar a essência  e nos regatos o burburinho que regurgita nos poemas...Poemas  ardentes ...que surgem das bocas de sorrisos prontos, dos meninos que por lá habitam com seus estros de poetas e a prudência dos doutores . Terra dourada em que de ouro as mãos se enchem nas abas de seus rios, no colo dos pedregais, onde tudo se purifica nos cristais de seu orvalho e a brisa é canção. Trago no rosto um sorriso pronto e um punhado de sabedoria garimpada em  seu ventre sagrado. Trago na poética o tempero do luar  e a cautela do tropeiro, ao encontro de sua subjetividade...herdei dos fortes o olhar sereno e as mãos calejadas do lenhador.

Protegida por uma elipse gigante  de montanhas verdes,   reveste-se de capitosa magia e se entrega aos corações de seus poetas...o inerte ganha vida!  Lourecidos campos onde a essência é purificada e as estrelas  nidificam suas pousadas.    Conselheiro Matta, um brilhante cravado entre rochas e bocainas, de arregoados  despenhadeiros, protegida das eólicas fúrias que erodem altares, fulgura graciosa na passarela de nossas emoções!  Lúbricas trilhas se emaranham pelas ásperas escarpas, destino natural dos garimpeiros em busca de tesouros e que ensandecidos se embrenham nas tramas verdes da selvagem mata, destemidos e fortes, filhos do lugar!

- Conselheiro, foi de ti que o melhor extraímos, tirando-te o néctar da sabedoria; a simplicidade. Foi contigo que aprendemos a amar e respeitar a natureza e as pessoas . Ensinaste-nos as melhores lições da simplicidade  ao nos estenderes pelas ruas o imenso e aveludado tapete enverdecido, sobre os quais perfilávamos obedientes e orgulhosos.  Foi por aí que aprendemos a respeitar e entender o gorjeio dos pássaros que nos impunham silêncio e também o ziguezague das borboletas em voos e os segredos de seus encantos. Foi por aí que muitos de nós tivemos o primeiro amor. Foi contigo que captamos as primeiras notas e solfejos, as primeiras poesias e o sabor do aprender, o suficiente para nossa sobrevivência. Por isso e tantas outras razões te veneramos e carregamos essa saudade que nenhum Conselheiro Matta.


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