domingo, 4 de setembro de 2011

BOI DE CORTE.por este chão poento e pardo...

Por este chão poento e pardo, por cascos de bois triturado, abrem-se estradas quentes e estreitas que se cruzam em emaranhados sentidos. A boiada brava segue inquieta, cabeças erguidas, chifres em estéreis movimentos que se misturam e se confundem...incontáveis!  Gritos que se  fundem ao suave chamado do berrante. O boi ligeiro e fujão, risca com os chifres marcas no chão; bufa, baba na poeira e se lambuza. O cavalo, dócil cavalo de rédeas puxadas, de espumas suadas, para frente empurra bois gordos e cansados, não deixa fugir rezes zangadas.  O homem guerreiro, ligeiro, a sombra do tempo, queimado de sol, alimenta-se mal. Torresmo de porco com farinha de milho e um grosso feijão na gordura apertado na trempe armada de ferro pontiagudo, sossega a boiada na verdejante paragem. Pasta ligeiro o boi faminto de baba no chão...tem novo patrão. Abatedouro vazio de aspecto paupérrimo, com cheiro da morte, boiada chegando, invade o espaço, homens com laços e machado nas mãos. O sangue no chão, o couro arrancado...dependurado. pedaços de corpos suspensos nos ganchos...o caminhão na espera, sai carregado rumo qualquer. Em poucos minutos a boiada se foi...cadê o boi...cadê o boi?! Nem berro, nem boi, nem boiada!...Cadê meu boi?!...só estrada!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: Se você não é nosso(a) seguidor(a) e deseja deixar uma mensagem, escolha abaixo "Comentar como ANONIMO" e clique em PUBLICAR.

Escreva seu comentário abaixo: