terça-feira, 9 de agosto de 2011

VENHO DE LONGE!...venho de longe!...sou das alterosas...

Venho de longe!...Sou das alterosas, um homem de costumes simples e de fala macia, trago nas mãos as marcas do trabalho duro; de um velho lenhador. Trago no rosto o retrato rabiscado de uma vida amarga, a arte entalhada pelo tempo, acostumado a travos amargos de experiências. Sou de onde nascem os sonhos juntos ao cio de uma terra descampada onde a sempre-viva, uma pequenina flor, é o símbolo de nossa resistência. Trago nos olhos o castanho mestiço e o pó das estrelas. Trago dos montes provas de bravura e a doçura das canções dos ventos. Trago nas mãos entalhes profundos do meu velho machado e na carteira velhos retratos amarelecidos pelo tempo, de pessoas que me amavam e que se foram. Sou da terra onde o fogo é de candeia, onde o homem ainda semeia ilusões nos encostados, espalhando sementes de flores perfumadas a beira do caminho.

Trago na veia o jeito manso de caboclo; de passos lentos, sem a pressa de chegar. Trago um olhar cauteloso e riso acanhado e alguns trapos de histórias pra contar. Trago na alma alguns punhados de poeira e o perfume dos ventos de nossas cordilheiras. Sou de lá, do topo daquelas montanhas onde por certo a águia habita e nidifica sua morada. Trago na venta, entranhado, o cheiro do mato e na tez a cor mulata. Sou ave migratória arribando rumo ao sul e trago nas asas a cor dourada de meu sol. Venho de longe, onde se planta ao alvorecer, onde os brutos não rejeitam os carinhos de uma mulher!...

DEDICO ESTE TEXTO A FAMILIA DO SAUDOSO BENJAMIM de RODEADOR:
Domingão, Evangelho e demais irmãos.

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