domingo, 14 de agosto de 2011

PAPAI...olhar impetuoso, cor de safira...

MAMÃE.

Olhar impetuoso conquista a alma de um caipira.Traz o pó da estrela  e a preguiça do luar...traz do meigo um lindo olhar no ouro de seu fulgor!...No coração o amor!...
Licença , mamãe!...amo-te muito, mamãe!

PAPAI.

No rosto a sabedoria dos incultos e dos matutos e um rude olhar. As marcas do tempo se espalhavam plissadas pela cor rosada.

- Filho, vem comigo!  Traz um balde !  – Sem mais palavras se embreava na mata ainda virgem da enorme e inexplorada fazenda. Seus braços traziam as mangas arregaçadas  numa velha camisa de algodão e no ombro um machado de corte afiado. Mais atrás vinha eu com aquele velho balde com alça, acompanhado de meu pequeno pixoxó, cãozinho companheiro e amigo.

-Vou te ensinar a derrubar uma árvore, dizia o velho.
- Uma árvore? Perguntava-me calado. Como posso nesta idade derrubar uma árvore?
- Um velho pé de aroeira...preciso de tábuas  para o curral...vou construir um curral,dizia ele!
- Para que mais um curral se já temos um? Pensei!

Olhava para um e outro lado a procura da tal aroeira e eu sempre acreditando no que ele dizia, sentindo-me orgulhoso pela escolha, pois era eu um dos menores lá de casa.
- Filho, está vendo essa árvore? Então! Vou dar o primeiro golpe deste lado para que ela caia para o outro lado, certo?

Eu ingênuo observava atento.

Uma, duas , três machadadas e lá escorrendo pelo tronco, aquele mel dourado de uma colmeia! Que doçura, que delícia! Aqueles favos suculentos e meu pai sorrindo a me enfiar na boca pequenos pedaços. Hummmm!... A volta para casa com o balde cheio de mel e o coração inundado de amor. Saudades, papai, saudades.

Quantas árvores de cascas grossas e colmeias pela vida afora e você não volta, papai?!...


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