segunda-feira, 4 de julho de 2011

UM MENINO SONHADOR


À sombra do tempo sonha feliz o pequeno trovador; escreve na areia e na poeira da vida, sua vida no pó da estrada , nas estradas entrecortadas, estreitas, malvadas...


Paisagens outonecidas, estorricadas , desfeitas! O sol ardente, silente e preguiçoso corta o espaço... fumegante, que estorrica, que enlouquece. O seco ranger de troncos se esfregando, se procurando. O corpo transpira, respira poeira de peito ao sol que dói, que mói , que destrói. 


Segue o menino ,é valente,não geme , não chora. Arde o mundo em suas costas e um sorriso não será solução, um soluço também não. De um lado a vida, do outro pode a morte. 


O menino a tudo observa atento, destemido; é a natureza em fúria, forte e bela em seus pensamentos, suas fantasias, seu mundo vibrante.


Ressequido o chão poento, grotesco, desverdeado e sem vida, áspero e severo, fere, machuca!...


De súbito uma nuvem, a tempestade e o céu escurece...tropéis, batidas secas de cascos selvagens; rígidos, brutos ...potros ariscos, abruptos, pesados ...animais à sorte fugindo da morte!... Não assusta o menino que inerte espreita. Um estralo, um raio e troncos que racham, se incendeiam... o chão estremece, o mundo escurece.Os relinchos, a borrasca, riscos no espaço ... fogem os selvagens da chuva pesada, do raio que cai, que mata. Mais estalos, rangidos estridentes de troncos rompendo.


Olhos fechados, corpo dobrado sobre os frágeis joelhos, o corpo molhado... a chuva passa, surge um vento ameno, macio, soprando seu corpo...O menino sorri, salvou-se por sorte... salta-lhe dos olhos uma linda gota de sua alma; ele respira, trêmulo suspira e a vida o fará ...um trovador.

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