segunda-feira, 20 de junho de 2011

SUA MÃE É SANTA?...


SUA MÃE É SANTA?

Mamãe , uma cabocla de alma contida e sorriso manso desfiava com cuidado cada palavra proferida; não era uma mulher culta, mas divinamente sábia e respeitadora.  Meu pai mais falante, era solícito por exagêro com as pessoas de fora, mas quando a conversa era com os filhos...hummmm! Éramos uma ninhada de filhos e diziam eles que não teriam outros mais, justificando com as suas idades já bem eradas.

Naquele fim de tarde todos percebemos que aquele era mais um momento raro em nossas vidas quando vimos na varanda já escura, os dois mergulhados em gargalhadas que para nós era uma coisa sublime.
Sabíamos que nunca dormiam no mesmo quarto e mesmo assim tiveram dezoito filhinhos ( os brutos também amam) e naquela tarde o assunto foi exatamente este, sob os olhares curiosos de todos  .

Ele que não parava muito na fazenda, pois vivia viajando na compra de gado, naquela tarde chegara de uma daquelas viagens e por certo cheio de querer. Claro que percebemos uma latente carência na fala de mamãe. Um dizia jamais ter ido ao dormitório do outro, numa acusação carinhosa como se os dois fossem filhos de Maria. Como foi então que nasceram tantos filhos se nenhum dos dois tenha saído de seu quarto, pois dormiam separados?!

Estávamos eufóricos e felizes com aquele momento; um presente que varou a madrugada.

De “esgueio”percebemos a ansiedade de ambos quando disfarçados cruzavam olhares ginecológicos e ardentes.

Meu irmão, muito dos sacanas, chamando-me de lado, propôs uma armadilha pra pegar o velho que nunca fora flor que se cheirasse, pois tinha seis filhos fora do casamento; minha mãe...coitada! Uma pessoa tímida e bem comportada...uma sofredora. E agora queria ele se fazer de menino bem comportado, dizendo que nunca procurara por minha mãe em seu quarto? Legal!

Tínhamos a certeza de que naquela noite o pegaríamos e então esperamos que todos fossem para os seus leitos. Colocamos uma enorme bacia com água  no meio do corredor que ligava os dormitórios dos dois. Não havia eletricidade na época e a luz frouxa era de lampião ou de lamparina a querosene.  Então se fez um macio e doce silêncio naquela noite fresca e orvalhada, enquanto atentos, nós maiores aguardávamos os acontecimentos e......blam,blam, blam... alguém havia caído na bacia e só podia ser o safado do velho. 

Levantamo-nos rapidamente para lavrar o flagrante e já com a lamparina acesa, quando encontramos dentro da enorme bacia, a mamãe morrendo de rir de pernas para cima.

Te pegamos heim véia! Enquanto do outro lado em seu quarto, meu velho pai se fazia de bobo e roncava que nem um suíno!... s a f a d ã o!....vai dizer que não sabia de nada?!...

do livro Poeira e Flor vol II

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