quarta-feira, 29 de junho de 2011

POTROS SELVAGENS


Estrênuos, surgem velozes a estrugir com passos e cascos batendo ao chão; espalham confusos sobre o cascalho a sua pressa de nunca chegar. São selvagens e o espaço é o seu habitat, corcéis bravios e brutos como pedra, mas de contornos macios, delicados, talvez embrutecidos pelo próprio homem com seu domínio a qualquer sorte. Relincham na demarcação de seus domínios e açoitam ao vento seu cavalgar e se descobrem e disparam velozes como raios rumo ao nada, ao infinito que é bem ali aos seus cascos. Impossível é descrevê-los na desnudez de minhas palavras, mas possível vê-los tão puros e libertos, soltos ao vento e nas planícies de meus dourados capinzais. Nada os descreve, nem mesmo fotografias frias, nem mesmo os melhores contos mais doces ou salpicados de sabedorias. Nada é igual ou próximo do que os meus olhos alcançam e nada é tão próximo ao que alcança minha alma.

do livro Poeira e Flor vol II

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