sexta-feira, 10 de junho de 2011

LEMBRANÇAS

Doces rastros de saudade de meus campos dourados, onde pedaços de minha infância eu vivi aos sabores de seus cajus, muricis e guabirobas, brincando nas sombras de seus tamboris. Loiros capins secos contorcidos, estorricados ao sol implacável do mês de agosto, mas vendo a chuva grossa de primavera chegar, fresca e exuberante e o verde se derramando pelas encostas como um enorme tapete, tremulando ao doce vento encantado, beijando a minha sagrada terra numa extraordinária inquietude de mágicos detalhes, dando vida e movimento ao lugar. Vi lírios brancos transbordando seus perfumes e os doces cânticos dos sabias laranjeira fazendo silenciar o caboclo com seus gorjeios inconfundíveis e encantadores. Presenciei o choro da cabocla inundada de paixão no momento da partida, ao apito do trem e ouvi, e como ouvi as doces canções entoadas pelas lavadeiras do meu rio Pardinho com seus vestidos enrolados a cintura e as coxas morenas enfiadas nas águas mais doces do meu planeta. Quantas lembranças!... Quantas!...Seus corpos perfeitos e bronzeados de sol!...O sorriso brilhando como estrela!...
A boiada atravessando o rio e cortando suas águas, conduzida por destemidos boiadeiros,
que de longe vieram com essa missão; comprar e levar, conduzir por terra uma boiada inteira e sem perder um boi. As suas cantigas ao redor da fogueira, suas saborosas comidas de cheiro inigualável com a gente ainda criança ouvindo suas historias, muitas historias, deixando-nos uma sensação de que um dia também seriamos um daqueles, daqueles destemidos homens do sul que conduzem boiada e seu próprio destino,que atravessam sertões, pantanais e cortam o pais de sul a norte, de leste a oeste, levando e trazendo canções e jogando brilho nos nossos olhos de crianças com seus contos e aventuras sem fim.

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